quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tu cá tu lá

Ontem, numa das minhas viagens pelos caminhos de Portugal, sintonizei a RFM. De repente apercebo-me de uma particularidade, aquela malta estava a tratar os ouvintes por tu. " vais gostar desta música", "espero que tenhas um bom regresso a casa" etc, etc. Chamem-me antiquada mas acho uma imbecilidade alguma cabeça pensante da RFM ter achado que o segredo para aumentar as audiências seria o "tu cá tu lá" com quem os ouve. Enfim, estratégias! Isto vai de encontro com a terriola onde vivo, há quase 4 anos, onde a maioria das pessoas trata as outras por tu. A sério, eu vou a um café, a uma tabacaria ou outro sitio qualquer, começam por tratar-me por você, mas num abrir e fechar de olhos, já estão a tratar-me por tu. No início isto irritava-me, encarava como má educação, agora já nem ligo, é um "hábito" da terra e nem vale a pena dar importância. É isso e o ser miga de todos. Atenção eu não sou amiga, sou mesmo "miga". "Então "miga" o que vai ser hoje?"

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Da vida no campo ou qualquer dia o puto sai de casa

Há uns dias estávamos, eu, o meu filho e a minha irmã em casa, quando batem à porta. Era o V. o amigo do meu filho, que de imediato pergunta: "o João pode papar na minha casa?" Assim que respondo que não, que a mamã do V. está cansada, que o João tem a tia em casa, blá, blá, desatam os dois num berreiro de choro e lágrimas que lá cedi. Combinei que o João iria tomar banho e que logo de seguida aparecia lá em casa. E assim foi, dei-lhe banho vesti-lhe o pijama e, quando a minha vizinha me ligou a dizer que o jantar estava pronto, levei-o à porta ele lá foi. Confesso que me emocionei quando o vi afastar-se para a casa ao lado, sozinho, autónomo e muito feliz. Jantei com a minha irmã, pusemos a conversa em dia, sem interrupções. Que foi estranho, lá isso foi.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Furiosa

Eu estou tão furiosa que tenho tenho que partilhar a minha furia por aqui. A sobrinha do meu marido, com 21 anos, foi mão de uma menina no passado mês (salvo erro no, dia 27 de Agosto). Ontem fiquei a saber que a bebé ainda está no hospital por ter desenvolvido uma doença hemolítica por incompatibilidade de RH. Como desconhecia esta doença hoje fui pesquisar e após ter lido a sua origem e a forma de a prevenir fiquei furiosa e se aquela médica de família me aparecesse à frente, no mínimo, espetava-lhe com dois pares de estalos. É que esta situação é tão típica daquela cidade onde cresci que até dá raiva. Segundo me contou a minha sogra, assim que a ela soube que estava grávida, foi à médica de família e pediu para fazer uma aborto. Não sei os motivos nem me interessam, sei que a relação com o pai é estável, que financeiramente e profissionalmente estão os dois numa situação precária, mas se isso esteve na origem da decisão de querer abortar, não sei e não me interessa. Pois a que médica demoveu-a do fazer o aborto (o que na minha opinião está completamente errado) e a rapariga lá levou a gravidez até ao fim, e pelo que me apercebi, estava muito feliz por ter a criança.
O que me irrita nesta história é a leviandade com que a gravidez foi acompanhada, pois se ela tivesse solicitado uma análise de sangue aos pais poderia e teria actuado no sentido de evitar que a doença se desenvolvesse. O que me irrita é que a miúda foi acompanhada pela médica de família por não ter dinheiro para recorrer a uma obstetra no privado. E o que me irrita é que se eles tivessem dinheiro a médica teria actuado doutra forma, O que me irrita é que se eles fossem filhos de um Dr. ou de um Eng. a médica teria tido todos os cuidados. Mas como eles são filhos do Zé da esquina ou do Manel das couves, ela borrifou-se. Acreditem que aquela cidade funciona assim, eu sofri na pele esse estigma, essa diferenciação dos que eram filhos dos Drs e eng e dos que não eram. Na escola isto era gritante. Há uns tempos atrás fui às urgências da CUF por causa de uma alergia que desenvolvi. A médica que me atendeu quando viu o meu BI disse-me que também era da cidade, que tinha vindo para Lisboa há muitos anos e que não pretendia regressar. Depois rematou, "sabe, naquela cidade nós não somos a Maria somos o filho ou filha de". Isto é tão verdade e por isso que eu tenho tanta relutância em regressar para lá.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ai os "entas"!!

A partir de hoje estou oficialmente de dieta (embora eu esteja de dieta 365 dias por ano). Em Fevereiro fui à consulta de rotina de Ginecologia com a minha médica de sempre. Já sou sua paciente há 16 anos daí eu a considerar como a minha médica de família. Como é habitual, saí do consultório com uma série de exames, ecos e afins para fazer, comprometendo-me a, após ter os resultados, deixá-los no consultório para ela os analisar. Se encontrar algum problema ela liga, caso contrário só tenho que os ir buscar. Na semana passada (sim, meio ano depois da consulta) finalmente reuni todos os exames e lá fui eu entregá-los. Esta segunda, logo pela manhã, recebo um telefonema do consultório, "a Dra. C. pede para vir levantar os exames, pois tem lá um recado. Não é nada de grave mas é muito importante". A minha primeira reacção, dado o meu historial, foi de preocupação, mas esta rapidamente se dissipou, pois sei que se fosse grave ela ter-me-ia ligado directamente. Ontem, e já desconfiada do que seria, lá arranjei um tempinho para ir ao consultório e, juntamente com os exames, estava um papel, cuja mensagem se iniciava do seguinte modo (a médica é brasileira): "colesterol alto, triglicéridos altos, pílula e tabaco, não dá mais !!!!" . Conclusão: dieta nos próximos três meses, seguida de repetição de exames.
A verdade é que eu esqueço-me que estou a caminhar vertiginosamente para os entas!! Medo, muito medo!!!!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Post 2 em 1

Eu realmente gostava de ressuscitar este blog mas está cada vez mais complicado. Durante o dia estou pouco tempo em frente ao computador e à noite, é sempre tão difícil convencer o meu filho a deitar-se (o que raramente acontece antes das 23 horas), que depois a vontade de escrever é pouca.
Quando finalmente arranjo um tempinho, nada do que possa aqui deixar parece fazer sentido, porque já muito ficou por contar.

Ficou por contar:
Que o miúdo esteve comigo cinco semanas e que apesar do cansaço foi muito bom
Que finalmente já tem uma cama de crescido e que, contrariamente ao que eu pensava, adaptou-se lindamente
Que o vocabulário dele tem expressões como, "estás no meu coração". "incrível", "possas!", "ifácil" (esta é deliciosa, deduzo que é o contrário de difícil), "acho que" e tantas outras semelhantes
Que este verão perdeu mais um bocadinho do medo que tem da água
Que detesta, mas detesta mesmo, perder nos jogos (é mesmo muito mau perdedor)
Que está muito, muito mimoca (para o bem e para o mal)
Que regressou à escolinha na quarta e, contrariamente ao que eu esperava, correu muito bem


Mas também tem ficado por contar que:
Ando numa luta com a balança há três meses e não há maneira de ganhar
Que estas férias, não fiz metade do que tinha planeado, tal como ler muito, deixar de fumar, levar o meu filho a andar de metro e de comboio, redecorar a minha casa, etc, etc, etc
Que profissionalmente entrei num novo projecto que me vai roubar ainda mais tempo
Que vou tirar outro curso (sobre isto nem quero falar muito, porque cada vez que me lembro no que me vou meter começo a hiperventilar).



E é isto...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Apecebo-me

Que ando alheada de mim mesma. Já nem no blogue me encontro. Hoje dei por mim a pensar que, se calhar, vivo num mundo de faz de conta: faz de conta que estou bem, faz de conta que sou feliz, faz de conta que quero fazer isto, faz de conta que quero estar aqui ... e assim passam os meus dias.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

De volta

As férias ainda continuam, mas já regressámos da praia.

(Foto retirada)