quinta-feira, 4 de novembro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Da blogosfera

A forma como escrevemos, as palavras que escolhemos, o modo como construímos as frases, a pontuação que damos, transmitem sentimentos a quem lê. E é por acreditar nesta forma de expressão que eu sou incapaz de escrever um post ou um comentário que não esteja de acordo com o que estou a sentir, porque se assim não for, eu acredito que quem estiver a ler, irá perceber. Do mesmo modo acredito nas sensações que tenho ao ler outros blogues. Mas estarei enganada?conseguiremos transmitir outros sentimentos que não os que estamos a sentir?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Do FB

Confesso que ainda não me rendi às maravilhas do FB e a prova disso são os míseros (mas bons) 7 ou 8 amigos que tenho adicionados. Confesso igualmente que utilizo o FB para fins menos próprios, como sejam a "cusquice" pura e dura. Numa dessas "cusquices", andando a ver amigos e os amigos dos amigos eis que vou parar a página do coordenador da licienciatura que vou agora iniciar. Na foto, o senhor está de tronco nu, envolto numa névoa, que me leva a pensar que a mesma foi tirada ou na sauna ou durante o seu duche matinal. Não havia necessidade meus senhores!!! Agora digam-me como é que hoje, durante a reunião que vou ter com o homem, me vou conseguir distanciar desta imagem? Pronto, eu sei, ninguém me manda ser cusca.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Reflexões ou Revelações II

Depois de ler os comentários ao post abaixo fiquei com a sensação que não fui bem interpretada. Não quis de modo algum passar a imagem da "coitadinha" de quem o pai não gosta. Esta é uma história antiga, diria até, que é a história da minha vida. E é, muito provavelmente, complexa demais para aqui estar exposta em meia dúzia de palavras.
Tenho memória de um pai afectuoso, aí até aos meus 9, 10 anos, a partir desta altura, e sem eu nunca ter percebido porquê, começou a haver um afastamento, afastamento esse, que dura até hoje. A verdade é que, inconscientemente é claro, a partir dessa idade, eu tracei um objectivo: fazer tudo por tudo para o agradar, para o conquistar novamente. E deste modo tornei-me na filha exemplar, aquela que todos os pais gostavam de ter (julgava eu): obediente, submissa, responsável... Nunca chumbei de ano, era uma aluna exemplar, entrei na universidade, conclui o meu curso e arranjei trabalho. Nunca o confrontei, nunca contrariei. Bastava aperceber-me que algo o desagradava para eu deixar de o fazer: não queria que eu saísse à noite, eu não saia e ponto final. Nem ousava pedir. Não concordava com namoros e eu até aos 19 anos não namorei. Se alguma roupa que eu usava lhe desagradava ( por ser mais ousada, segundo os parâmetros dele) eu nunca mais a vestia. E poderia estar aqui a discorrer mais situações semelhantes a estas que este post não teria fim. Nunca o confrontei com as atitudes erradas que tomava comigo, ou com a minha irmã, ou com minha mãe. Nunca o confrontei com o facto de ter amantes, nunca o confrontei nas muitas vezes que lhe abri a porta de casa às 4, 5 e 6 da manhã, depois de ter passado a noite a esbanjar dinheiro em jogos de casino. Fiquei sempre calada. E o que é que eu ganhei com isso? Numa visão optimista, diria que até acabou por ser positivo, pois tornei-me numa pessoa responsável, fiz pela vida, mantive-me afastada de situações que poderiam ter-me sido prejudiciais. Mas numa visão mais realista, não ganhei nada, perdi os melhores anos da minha vida, sinto sempre que a adolescência me foi roubada, não cometi loucuras, nunca conheci os meus limites. As maiores loucuras que cometi, foi ter começado a fumar ( estúpida, eu sei) , ter conhecido o meu marido, ter-me apaixonado perdidamente, e ter começado, sempre às escondidas do meu pai, a namorar com ele. Perdi a auto estima, tornei-me numa pessoa depressiva, medrosa, complexada. E no final de tudo continuei a não sentir qualquer afecto por parte dele, volto a dizer, por mais pequeno que fosse o sinal.
Ao longo da minha vida procurei várias justificações, mas nenhuma me apaziguou a dor. Acreditar que ele não gosta de mim (refiro-me a mim, embora inclua igualmente a minha mana) é, até agora, a que me proporciona mais tranquilidade.

Nesta altura da minha vida, e quase a completar 40 anos, esta é uma questão que para mim está resolvida.
Não sei se será mesmo assim, se calhar estou totalmente enganada, mas neste momento é nisto que acredito.
Porque é não gosta de mim? Não sei, se calhar esta não era a vida que queria, se calhar não queria ter filhos, ou até queria, mas não filhas. Quem sabe se não teria sonhos que, com o casamento e o nascimento das filhas deixou de poder realizar. Não sei responder a esta questão.
E sim, a verdade é que o amor, o afecto, as relações sólidas e profundas fazem muita falta, mesmo muita.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Reflexões ou Revelações

Há algum tempo tive uma revelação. Chamo-lhe assim, porque na verdade mudou a minha vida. Passamos a nossa existência a ser intoxicados com ideias preconcebidas que, sem nos apercebermos, nos trazem muitas vezes, dor, apreensão, e culpa. Falo mais concretamente no amor incondicional dos pais para com os filhos. No que a mim diz respeito, não tenho duvidas, desde que tenho o meu filho, sinto que irei amá-lo sempre, mesmo que se transforme, num bandido, num racista, num xenófobo, mesmo que seja burro, seja ele o que for vou amá-lo sempre. É das poucas certezas que tenho na vida. Agora não acho que seja uma verdade universal, explicada por religiões, genéticas, adn e afins.

Vem isto a propósito da revelação que acima referi, que foi somente o seguinte pensamento: o meu pai não gosta de mim. Após ter tido este pensamento, e nele ter acreditado, uma paz, uma serenidade indescritível se apoderaram de mim. Foi como se tudo se encaixasse perfeitamente. Como é que nunca deixei que este pensamento me surgisse na mente antes? Teria com certeza poupado dinheiro em terapias e antidepressivos, quiçá teria aproveitado melhor a minha vida. Acreditem que faz todo o sentido, não vejo mais explicações para o facto de, quando visito os meus pais, ele praticamente não me falar, para o facto de não ter qualquer memória de um gesto de afecto, por mais pequeno que fosse. Para o facto de ele nunca se ter interessado pela minha vida e por aquilo que faço (acreditam que ele não sabe onde trabalho nem o que faço?!!). Não gostar de mim, justifica a indiferença total (por vezes desdém, mesmo) que sempre demonstrou pelos poucos feito que fui conseguindo ao longo da minha vida. E não me venham dizer que está relacionado com a educação que teve, em que um homem demonstrar os sentimento é sinal de fraqueza. Conheço pais assim, mas mesmo esses, em determinados momentos da vida, deixam transparecer o afecto que sentem pelos filhos. São pequenos gestos, mas existem.

Para mim é claro, o homem não me grama, e digo-o sem ponta de mágoa, sem ponta de raiva ou ressentimento, porque para conseguir ser um pouco mais feliz eu só precisava que este pensamento me surgisse com esta clarividência e com esta certeza.