Quem me acompanha desde o início deste blogue, sabe que este não é um blogue
tipicamente cor de rosa. Basta dar uma vista de olhos aos post que aqui escrevi
ao longo destes quase 6 anos para comprovar isso mesmo. Tal não significa que
eu seja sombria (ou talvez seja), ou que eu não tenho momentos mais cor de
rosa, que os tenho, mas quando o criei, foi num momento algo conturbado e
acabou por funcionar como o local onde desabafo o que mais me atormenta. Mais
uma vez o que vou aqui escrever não é politicamente correto, mas paciência, atirem-me pedras à vontade.
Amo o meu filho mais do que tudo na minha vida, por ele sou capaz de tudo, é
um sentimento muito forte e difícil de explicar.
Mas hoje senti-me magoada por ele e questiono-me se é suposto uma mãe se
sentir magoada pelo seu filho. Não no sentido de um filho poder magoar a mãe,
mas no sentido de uma mãe se sentir magoada.
Andamos numa fase muito complicada, de comportamentos agressivos, palavras
menos próprias, de algum descontrolo nos comportamentos. Já tentámos de tudo,
conversas, castigos e, até algumas palmadas. Mas nada tem surtido efeito. Por
regra, não acata o que lhe dizemos, desobedece continuamente, amua, grita,
descontrola-se. E como não gosto de pôr paninhos quentes nestas coisas, assumo
que grande parte da culpa é minha. A culpa é minha (nossa) porque acredito que
os filhos são o fruto da educação que lhe damos, ponto.
Hoje de manhã queria e porque queria que o lanche da escola fosse um pacote
de pintarolas. Refutei, obviamente, explicando-lhe que pintarolas não são
alimento, mas sim guloseimas e que ele precisa de se alimentar bem e blá, blá.
Gritou que eu era feia e má e mentirosa e já não me lembro de mais o quê.
Seguimos para a escola, durante todo o caminho fomos em silêncio e quando
saímos do carro e iniciámos o percurso até ao portão recusou dar-me a mão,
ainda tentei explicar-lhe mais uma vez que gostava muito dele, mas que não
seria uma boa mãe se lhe mandasse pintarolas para o lanche. Não me respondeu, mas
o que me deixou verdadeiramente triste e magoada foi, depois de passar o portão
ele faz sempre questão que fique ali até que ele entre no edifício, o ritual
inclui uns acenos e uns beijinhos e hoje, o sacana nem olhou para mim, seguiu
caminho, entrou no edifício e lá foi à vida dele. O que me magoou (ou será
preocupação) não foi o ato em si, mas aquilo que ele representa, a falta de
empatia que está por detrás de uma aitude destas.
E onde entra a culpa no meio disto tudo? A verdade é que nunca fui muito restritiva
nos doces e guloseimas e o resultado é ter uma criança que se recusa a comer
fruta e legumes e que faz birras sempre que lhe nego uma guloseima.
Outra questão prende-se com os jogos. Sim, o meu filho de 6 anos tem
claramente um problema de com jogos, sejam eles de computador, de ipad, ou
consola. Tem tanto prazer naquilo que, o saber que tem um limite de tempo para
jogar o deixa nervoso e ansioso. E sempre que esse limite que lhe impomos
termina o que se passa a seguir não é bonito de ver. Se o deixássemos passava
de certeza um dia inteiro a jogar, sem se fartar. Apercebemo-nos que não estava
a ser bom para ele e começamos por apenas permitir jogos ao fim de semana,
depois só ao sábado e há um mês atrás, impusemos uma pausa ate ao anos dele.
Estava tudo a correr bem até este fim de semana. Para que eu e o pai pudéssemos
terminar um trabalho que tínhamos em mãos (cada um o seu), no Domingo
deixámo-lo jogar no Ipad e pronto, lá voltámos ao mesmo. Hoje de manhã, antes
da cena do lanche tivemos a cena do "posso ir um bocadinho ao teu ipad?, preciso
mesmo de ver uma coisa". E aqui mais uma vez a culpa é minha (nossa), pois
para além de o termos introduzido muito cedo nos jogos (na minha opinião), não
soubemos, por vezes, impor e principalmente fazer respeitar os limites,
deixando passar os "só mais um bocadinho".
Eu sei ele só tem 6 anos mas eu tenho que travar estes comportamentos antes
que seja tarde demais (isto se já não for).