sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Da semana

Hoje vim dormir a casa, o meu marido ficou com o João. Aceitei porque o noto francamente melhor mas também porque estou exausta.Desde segunda que durmo (quando durmo) num cadeirão, que de confortável não tem nada. Tenho as pernas tão inchadas que quase não consigo dobrar os joelhos. Esta saga começou na segunda feira, quando por mera precaução me desloquei, mais uma vez sozinha (o meu filho escolhe sempre ficar doente quando o pai está fora)ao centro de saúde mais próximo e acabei nas urgências do hospital por suspeita de pneumonia. Entrei no centro de saúde por volta das 19 horas e saí de lá às 22h00 tendo seguido directa para o hospital, para já não regressar a casa. Foram umas horas terríveis, no centro de saúde a médica que o observou aconselhou-me a levá-lo ao hospital, pois desconfiava de uma pneumonia. Decidi de imediato que ia, mas antes tivemos que o arrefecer pois estava com quase 40graus de febre. Cometi a estupidez de não ligar à minha irmã, achava que iria ser rápido e logo logo estaria com o meu filho de volta a casa.O cenário das urgências era assustador, gente e mais gente, o João cheio de febre e eu com ele ao colo, sem sitio para me sentar, preocupada porque ele estava sem comer desde as 15 horas, sem possibilidade de ir à casa de banho, demasiado mau. Quando mais 3 horas depois fomos atendidos, seguimos de imediato para o RX. Logo depois seguiram-se as análises, e aí começou o tormento, por um lado o horror de o ver ser picado e por outro lado quando, após a recolha do sangue, vejo as enfermeiras a colocarem-lhe a tala e fixarem o cateter, entrei em histeria. "Para que é que lhe estão a colocar isto?" perguntei eu quase aos gritos, " a mãe não sabe que vai ficar?" Neste momento senti o chão a fugir-me dos pés. Não, não sabia, ninguém me disse nada. Passei a noite na sala de observações das urgências com o meu filho. Não preguei o olho um segundo sequer, ao contrário do João que dormiu a noite toda. De madrugada deram-me os resultados das análises, estava tudo bem mas o RX estava muito "sujo", por isso tinha que ficar mais algumas horas. A partir daqui foi uma confusão, apanhei os médicos do turno seguinte, mas nenhum me esclarecia nada. Se numa hora me diziam que ele iria saír, na hora seguinte já me diziam que se calhar ficava internado. Ao estar nas urgências fui-me apercebendo pelas conversas que não havia camas na enfermaria, então por volta do meio dia de terça feira, já completamente desesperada, fui ter com um dos médicos que o tinha observado e perguntei-lhe se o João ficava ou se ia para casa, ao que me respondeu que tinha que aguardar para ver se ele reagia aos medicamentos, mas não fiquei nada convencida com a resposta. Chamei-o à parte e perguntei-lhe tal e qual como aqui vou transcrever " Sr. Doutor se eu estiver a perceber o que se passa, a situação do meu filho é esta: se o senhor tivesse vagas na enfermaria dizia-me de imediato que o meu filho ficava internado, é isso não é?" A resposta que obtive é que realmente era melhor ele ficar internado. Assim vai a nossa saúde. Acabei por ficar o resto dia nas urgência (na sala de observações) e só por volta das 20 horas é que subi para a enfermaria (à conta de alguma "alta" precipitada, talvez).
Nesta altura a minha irmã já está comigo, o meu marido só conseguiu regressar na quarta feira.
O que aconteceu a seguir já aqui relatei, na quarta feira o meu filho piorou, teve febre o dia todo, e estava com muitas dificuldades respiratórias. Na quinta, a médica que o observou detectou-lhe uma otite e receitou-lhe um antibiótico. A partir daí começou a melhorar significativamente. Recordo-me agora que nenhum dos médicos que até aí o tinha visto, teve o cuidado de lhe ver os ouvidos.
Hoje a medica tinha intenção de lhe dar alta, mas quando o auscultou achou melhor esperar mais um dia, pois estava com muita expectoração.
Eu sinceramente conto trazer o meu filho para casa amanhã, mas ainda não sei. Ele hoje já foi o meu João, muito activo mas também muito birrento. Foi muito complicado "segurá-lo", acho que está saturado de ali estar.
Se tiver tempo, espero postar mais sobre esta semana, tenho tanto para partilhar convosco.
Mais uma vez obrigado a todas.

8 comentários:

  1. Oi linda! Vim aqui só mesmo pra te dar um beijo carinhoso a ti e ao teu João. A minha menina também anda cheia de especturação e não sei como passrá este fim de semana. Tão pequenina a minha bébe. Espero sinceramente que o pequeno João dê um valente pontapé nesses terríveis bicharocos que o atormentam para não ter que ficar sujeito a este serviço de saúde que temos. Ando numa pilha de nervos... assim que puder venho cá outra vez.
    beijo grande linda

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  2. Bolas e já agora se não é indescrição em que hospital é qu ele ficou???
    Espero que tragas o teu menino para casa muito saudável e o mais rápido possível!!!!!
    Beijinhos nossos de rápidas melhoras!!!

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  3. Ainda bem que deste notícias e que ele está a melhorar.
    Quanto à "nossa saúde" está muito mal, muito mal mesmo!
    Um beijo grande e espero que regressem a casa bem depressa!care.pt

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  4. Mãe do Miguel Afonso26 de janeiro de 2008 às 11:31

    Ó coitadinho do João!! E pobre de ti. Ao ler o teu relato , imaginei se fosse eu no teu lugar, sozinha nas urgências, preocupada e sem saber ao certo o que se passava e quanto tempo mais lá iamos ficar ... acho que ficava em estado histérico!!

    Os nossos pequenos realmente são tão frágeis!!
    As melhoras rapidas do teu lindo e por muito que te custe a ausencia dele aí em casa é sempre melhor que ele só tenha alta qdo estiver mesmo realmente bem.

    Bjs,
    Ana

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  5. Que dura prova... Sózinha, muito tempo de espera, filho doente, internamento, sem dormir e sem notícias, não foi pêra fácil. Não tarda o joãozinho já vai estar com os papás na casinha dele a fazer malandrices.

    Beijinhos grandes para todos.

    * são nestas alturas que vemos a nossa força que nunca pensavamos ter.

    Rakel

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  6. Apetece-me chorar pelo que vocês passaram e também por um sistema que sacrifica vidas. Sofreste, mas o menino melhorou. Que todos, todos, todos os nossos sustos tenham um final feliz, é sempre o que peço. Um beijo de melhoras. Luz

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  7. O teu relato é arrepiante. A falta de hospitais faz-se sentir cada vez mais e em vez de melhorarem os que já existem e construírem outros, entregam-nos aos privados e fecham outros tantos.

    No meio de tanto caos lá houve uma médica que teve o cuidado de examinar o teu menino como deve ser e de lhe fazer o diagnóstico e tratamento correctos.

    Nem imagino o teu cansaço, o tormento destes dias, a preocupação e o desgaste. Fizeste muito bem me vir descansar. Espero que amanhã já tragas o João de volta e que possas dar por terminado este pesadelo.

    Um beijo grande de força para ti e um de melhoras para o teu pequenino.

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  8. Fiquei com o estomâgo enrolado só de te lêr. Duas horas a espera de ser atendida?!? Não fazem sequer rastreio de urgências nesse hospital? Aqui onde vivo também não posso dizer que o hospital é brilhante, mas duas horas com uma criança é inadmissivel.
    Pelo que li o teu menino está a melhorar, graças a Deus, mas ,é horrivel te-los no hospital. Infelizmente também já passei por isso e sei bem avaliar a sensação :(((
    Que passe depressa, que venham para vossa casa, as mlehoras rápidas.

    Um beijinho

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